Arte&Semiótica

Martha Rosler, uma das artistas pioneiras da “vídeo arte”, com uma obra de reflexão sobre o quotidiano (e frequentemente conotada com o emergente movimento feminista dos anos 60) “enuncia” para a câmara os ingredientes de uma “dona de casa”. A obra é de 1975 e intitula-se Semiotics of the Kitchen.

A referência fica colocada no blogue numa categoria a que dei o nome de fora de contexto nesta categoria colocarei referências que não estando (ou estando indirectamente) ligadas à matéria das aulas me parecem interessantes de colocar em debate. Quem quer ser o primeiro a comentar?

5 responses to “Arte&Semiótica

  1. 1.De certa forma, fez-me lembrar as experiencias de John Cage alguns anos antes, utilizando objectos do quotidiano, algo descontextualizados, para fazer musica.

    2.Não creio ter captado totalmente a razão do título da obra conter a palavra “semiotics”, mas talvez o uso desajeitado e por vezes violento dos utensílios de cozinha possa ser uma subversão dos “sinais” que uma mulher submissa deveria adoptar na cozinha, indo assim ao encontro do cariz feminista da obra.

  2. Apenas para complementar o meu comentário anterior, aqui fica uma das experiências de John Cage:

  3. Filipe, a referência ao trabalho do John Cage é oportuna para ajudar a contextualizar o trabalho da M. Rosler. Poder-se-ia falar também dos artistas ligados (ou próximos) do movimento Fluxus que sobretudo a partir de 1968 (um momento marcante é a reacção à documenta IV realizada nesse ano) revolucionam o estatuto de “obra de arte” e os conceitos de “autor”, “espectador” através dos seus happenings e de uma nova lógica de “performar” o objecto quotideano.
    Martha Rosler usa o termo “semiotics” (desconstruindo o seu uso) para reforçar (com alguma ironia) o carácter “formal” daquele exercício de exibição/apresentação de objectos domésticos que, de certa forma, são ícones da própria ideia de uma mulher-objecto, formatada por regras sociais, se quiser “produzida semioticamente” por uma sociedade com determinados valores que, nesta obra, Rosler põe em causa.

  4. Na sequência, uma referência complementar:

    http://www.artecapital.net/criticas.php?critica=92

  5. Arte = Significância. É gratuíta ou legítima esta relação? Se por um lado esta mulher pode apenas fazer a descrição de objectos a uma criança de 3 anos, pode ser também uma guerreira num território do qual parece ser dona. Tantos olhos a vêem, tantas mentes multiplicam a leitura de um código que não foi lá colocado. É precisa esta Semiótica ” física ” para nós que tomamos contacto com a Cadeira pela 1ª vez num único impacto. Aguardamos mais ” Fora do Contexto ” para ficarmos mais dentro…

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